A pandemia do novo coronavírus tem afetado a saúde mental de todos nós. No caso dos adolescentes, ela traz uma preocupação extra. A ansiedade que envolve a situação pode favorecer a manifestação de um transtorno alimentar.

“Transtornos alimentares começam em situações como a que estamos vivendo, com alto nível de ansiedade e angústia”, afirma a médica pediatra Gabriella Erlacher Lube, membro do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Mas a culpa não é só da covid- 19. Na base dos transtornos alimentares estão a abundante oferta de alimentos hipercalóricos e a valorização da magreza como padrão de beleza. A seguir, Gabriella fala sobre os sinais que os jovens dão de que podem vir a sofrer de um transtorno.

  • Preocupação excessiva com o corpo

Se o corpo dele ou das outras pessoas virou um tema recorrente de conversas, vale prestar atenção no adolescente.

  • Uso de roupas largas

Outro sinal de alerta é o adolescente passar a usar roupas vários números maiores do que seu manequim.

  • Não se alimentar na frente da família

É bastante comum o jovem com algum transtorno alimentar arranjar diferentes desculpas para não comer na frente dos pais, irmãos e outros familiares.

  • Esconder comida

Outro comportamento comum é esconder alimentos. Seja para evitar que os pais percebam que ele não está se alimentando direito (característica da anorexia). Seja para poder comer a sós e em grandes quantidades sem chamar atenção (traço da bulimia).

Parece saudável, mas não é

Além dos já citados transtornos bulimia e anorexia, há outros que até parecem hábitos saudáveis à primeira vista. Malhar faz bem para a saúde, mas a preocupação excessiva com um corpo esbelto e musculoso caracteriza um transtorno alimentar chamado vigorexia.

Assim como ficar obcecado em comer de forma saudável também pode ser traço de um outro transtorno alimentar conhecido como ortorexia.

Pode acontecer antes da puberdade?

Ainda que não seja impossível que uma criança tenha transtorno alimentar, não é comum o problema aparecer na infância. Por isso se seu filho é seletivo para comer, isso não quer dizer que ele virá a ter um transtorno na adolescência. Mas é possível que os adolescentes com transtorno tenham dado algum sinal antes da puberdade.

Coisa de menino e menina

Embora os transtornos alimentares atinjam garotos e garotas, entre elas, a prevalência é maior. “Há estudos que apontam uma incidência dez vezes maior em mulheres. Outros até 20 vezes maior entre elas”, afirma a pediatra Gabriella.

Independentemente do sexo, é importante que os pais saibam que o transtorno alimentar pode vir associado a outros distúrbios comportamentais, como depressão e crises de ansiedade e de pânico.

Tratamento

Para ajudar o adolescente a superar o transtorno alimentar – e qualquer outra questão associada –, a chave é um tratamento multidisciplinar. Segundo Gabriella, tudo começa com o olhar de um hebiatra – o médico especializado em adolescentes – que deve encaminhar o jovem ou a jovem para um psiquiatra. Psicólogo e nutricionista completam o cuidado para restabelecer a saúde do paciente.

“Os pais precisam entender que o transtorno alimentar não se resolve apenas com uma boa conversa com o filho ou filha. Quando há uma febre persistente, você não leva ao médico? No caso do transtorno alimentar, é essencial ter o atendimento de pessoas com treinamento em saúde”, finaliza a pediatra.


Do Yahoo

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